sábado, 13 de abril de 2013

A decapitação do silêncio empossado nos teus lábios

Não digas tu...
Adeus
Quando a noite vir.

Tão pouco, todavia
Apodere-se de lábios reles
Para em meio a noite, jurar cruzar
Sem que outrora
Do breu cavernoso
Tenha bebido.

Aos teus ouvidos
Não leve-te o silêncio
Na hora do teu grito
(Os obliterados apenas
Não sabem medir o escuro)
E só aqueles, de alma surdos
A hora de temer não veem.

                                    Vinícius Faria

Telefone

Tocou o telefone
Só uma vez
Antes que eu
Pudesse atender

A sensação é estranha...
Se eu pudesse
Lavar as palavras
E escolher as
Mais brancas
Para que
Você
Pudesse entender

                        Vinicíus Faria



Sépia

A cor nápoles
Da carne
A carne nápoles
Da cor

                                   Vinicíus Faria

domingo, 31 de março de 2013

Poeira Velha

Aonde permeou o toque da espuma
Ficou verde a maçã
E o perfume da lembrança
E depois a cadeira vazia
Da ultima ninhada a casca

A mesa de jantar tem uma cadeira afastada
Bebe o chá a caneca em cima da mesa
Desce o silêncio as escadas
O relógio não conversa mais comigo
De manhã já é fim de tarde
Já é outra a porta da janela
E as frutas ficaram jogadas no chão

Permissivo e lodoso é o tempo deste soalho
Há chuvas no banheiro inteiro
A meia luz está inteira e meia
Escorre magoas nas calçadas
Espio um tempo pungente do nada
Conversam as paredes sozinhas
O televisor desligado fala
E na estante riem as fotos de mim

                                           Vinicíus Faria

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Divagante no contratempo

O grito do silêncio
                                Enloquece o juízo
Minha vontade escuta
                                 Os conselhos do meu umbigo
Quebro o apetite
                              E arremeço no espaço
A cabeceira da minha cama
                                 Cabeceira de aço
Amarrada pelo cadarço
                                                           Tem um pé lá fora
                                 E o outro falso
Meu ego anda no jardim
                         Dançando uma valsa
E não acho uma alça
                                                 Que me puxe para mim

Há um barbante
                                                    Daqui  para o meio
                                     De um instante oco
             E tudo que respiro é o sufoco
De ainda estar respirado.

                                      Vinícius Faria